poeta
lentamente o
orvalho
as casas guardando
o quente bafodos animais
as árvores
sossegadas
as aves escutando
os barcosem silêncio nas docas
mas tu
ó filho de
ninguémtu vives nas mágoas
e em todas as bocas
creio que existe em cada um de nós uma zona, um espaço, uma coisa que jamais conseguimos tocar. algo que não conseguimos expressar. uma espécie de segredo. algo que adivinhamos, pressentimos, mas que não sabemos. a isto chamarei o ponto cego da existência. é este ponto cego da existência que dá às coisas um mais-que-as-próprias-coisas. mais que uma sombra existente em cada coisa, o ponto cego da existência revela-nos uma presença
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