não importa que se tenham ido
ou que alguma coisa
muito forte
os tenha levado de nós
voltamos sempre àqueles
que nos dão a beber
as coisas que não se alcançam
(in a noite que nenhuma mão alcança)
creio que existe em cada um de nós uma zona, um espaço, uma coisa que jamais conseguimos tocar. algo que não conseguimos expressar. uma espécie de segredo. algo que adivinhamos, pressentimos, mas que não sabemos. a isto chamarei o ponto cego da existência. é este ponto cego da existência que dá às coisas um mais-que-as-próprias-coisas. mais que uma sombra existente em cada coisa, o ponto cego da existência revela-nos uma presença
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