aquele que não ouvirás mais
te saúda
nos dois ouvidos
e na língua
na mão que te acompanha
e na outra
nos passos que se afastam
e no coração
para que não se ouça
e a língua não divulgue
te saúdo em silêncio
creio que existe em cada um de nós uma zona, um espaço, uma coisa que jamais conseguimos tocar. algo que não conseguimos expressar. uma espécie de segredo. algo que adivinhamos, pressentimos, mas que não sabemos. a isto chamarei o ponto cego da existência. é este ponto cego da existência que dá às coisas um mais-que-as-próprias-coisas. mais que uma sombra existente em cada coisa, o ponto cego da existência revela-nos uma presença
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