se quiseres dar-me
da tua água
dessa ausência onde
nada falta
desse tão silêncio grande
que abunda no coração
das aves
e que depois cantes
que cantes ainda
em silêncio
que cantes
no meu coração
creio que existe em cada um de nós uma zona, um espaço, uma coisa que jamais conseguimos tocar. algo que não conseguimos expressar. uma espécie de segredo. algo que adivinhamos, pressentimos, mas que não sabemos. a isto chamarei o ponto cego da existência. é este ponto cego da existência que dá às coisas um mais-que-as-próprias-coisas. mais que uma sombra existente em cada coisa, o ponto cego da existência revela-nos uma presença
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