se havia mar
não dei por ele
era talvez verão
ou outra coisa
que ainda não fosse tarde
setembro sobre os muros
o sol através das mãos
e a vida desprendia
um sossego muito antigo
era aí
que eu dormia
creio que existe em cada um de nós uma zona, um espaço, uma coisa que jamais conseguimos tocar. algo que não conseguimos expressar. uma espécie de segredo. algo que adivinhamos, pressentimos, mas que não sabemos. a isto chamarei o ponto cego da existência. é este ponto cego da existência que dá às coisas um mais-que-as-próprias-coisas. mais que uma sombra existente em cada coisa, o ponto cego da existência revela-nos uma presença
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