tanta gente
que se divulga e mostra
tanta gente
que apregoa o seu nome
senhor
crucifica-me na janela
de minha casa
prega os meus pés
na parede de cal branca
pendura-me pelos olhos
na árvore mais alta
que houver
cala-me
creio que existe em cada um de nós uma zona, um espaço, uma coisa que jamais conseguimos tocar. algo que não conseguimos expressar. uma espécie de segredo. algo que adivinhamos, pressentimos, mas que não sabemos. a isto chamarei o ponto cego da existência. é este ponto cego da existência que dá às coisas um mais-que-as-próprias-coisas. mais que uma sombra existente em cada coisa, o ponto cego da existência revela-nos uma presença
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