há quem não goste
de
chuva
eu
gosto de tudo
o
que chove
lá
fora
vejo
as pessoas que passam
com
as suas pequenas
coisas
do mundo
e
vou com elas
cá
dentro
faço
desenhos nas janelas
escrevo
palavras frágeis
que
não se agarram
e
vou com elas
creio que existe em cada um de nós uma zona, um espaço, uma coisa que jamais conseguimos tocar. algo que não conseguimos expressar. uma espécie de segredo. algo que adivinhamos, pressentimos, mas que não sabemos. a isto chamarei o ponto cego da existência. é este ponto cego da existência que dá às coisas um mais-que-as-próprias-coisas. mais que uma sombra existente em cada coisa, o ponto cego da existência revela-nos uma presença
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