felizes os que souberam
fazer da rosa
onde nada procurar
e todavia
viveram nas ruas e no
mundo
cada coisa que fizeram
sua
e sem vaidade ou pressa
pousaram na sua mão
o céu a abrir-se
devagar
no coração
creio que existe em cada um de nós uma zona, um espaço, uma coisa que jamais conseguimos tocar. algo que não conseguimos expressar. uma espécie de segredo. algo que adivinhamos, pressentimos, mas que não sabemos. a isto chamarei o ponto cego da existência. é este ponto cego da existência que dá às coisas um mais-que-as-próprias-coisas. mais que uma sombra existente em cada coisa, o ponto cego da existência revela-nos uma presença
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