talvez um dia as árvores
se lembrem de nós
de quando os nossos nomes
tinham rostos
e nós então
tão perto
de tudo o que tocámos
(aquele que não ouvirás mais, 2019)
creio que existe em cada um de nós uma zona, um espaço, uma coisa que jamais conseguimos tocar. algo que não conseguimos expressar. uma espécie de segredo. algo que adivinhamos, pressentimos, mas que não sabemos. a isto chamarei o ponto cego da existência. é este ponto cego da existência que dá às coisas um mais-que-as-próprias-coisas. mais que uma sombra existente em cada coisa, o ponto cego da existência revela-nos uma presença
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