observei as árvores
e não te vi
olhei o telhado da minha casa
e não estavas
esperei que anoitecesse
e não voltaste
espreitei de noite pela janela
até onde o meu coração
poderia alcançar-te
e nada aconteceu
então sentei-me
no coração
creio que existe em cada um de nós uma zona, um espaço, uma coisa que jamais conseguimos tocar. algo que não conseguimos expressar. uma espécie de segredo. algo que adivinhamos, pressentimos, mas que não sabemos. a isto chamarei o ponto cego da existência. é este ponto cego da existência que dá às coisas um mais-que-as-próprias-coisas. mais que uma sombra existente em cada coisa, o ponto cego da existência revela-nos uma presença
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