um
rouxinol
atravessa
ferido
a
espessura da tarde
passa pelas árvores
sangra
no coração
das
ervas e dos insectos
transporta
uma ferida
no
coração
inaugura
na noite
dos
seus olhos
uma
canção
creio que existe em cada um de nós uma zona, um espaço, uma coisa que jamais conseguimos tocar. algo que não conseguimos expressar. uma espécie de segredo. algo que adivinhamos, pressentimos, mas que não sabemos. a isto chamarei o ponto cego da existência. é este ponto cego da existência que dá às coisas um mais-que-as-próprias-coisas. mais que uma sombra existente em cada coisa, o ponto cego da existência revela-nos uma presença
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