429
vivi junto a um charco
de noite
ouvia as rãs
quando as casas
se calavam
havia também uma voz
que vinha de muito longe
e mal se ouvia
às vezes
ainda a ouço
cantar
creio que existe em cada um de nós uma zona, um espaço, uma coisa que jamais conseguimos tocar. algo que não conseguimos expressar. uma espécie de segredo. algo que adivinhamos, pressentimos, mas que não sabemos. a isto chamarei o ponto cego da existência. é este ponto cego da existência que dá às coisas um mais-que-as-próprias-coisas. mais que uma sombra existente em cada coisa, o ponto cego da existência revela-nos uma presença