uma
criança
abre a mão
e solta um
pássaro
depois
abre
outra mão
e o sol
regressa
não
não é
magia
nem é
outra vez
o
pessegueiro
é como
nascem
os poemas
creio que existe em cada um de nós uma zona, um espaço, uma coisa que jamais conseguimos tocar. algo que não conseguimos expressar. uma espécie de segredo. algo que adivinhamos, pressentimos, mas que não sabemos. a isto chamarei o ponto cego da existência. é este ponto cego da existência que dá às coisas um mais-que-as-próprias-coisas. mais que uma sombra existente em cada coisa, o ponto cego da existência revela-nos uma presença
senhor
ao contrário de
outros eu não
te
venero
nem falo em
teu nome ou em
promessas
nunca
conquistei em
teu nome ou
matei
nem te culpo
pela
tua
inexistência
aceito as
tuas
imperfeições e
ausência e
jamais te
comprometo com
os
meus erros
acima de tudo
há muito que te
libertei dos
meus
compromissos
tu és a minha falta