dei-te
o meu coração
é
certo
e
desde então
vivo
sem ele
antigamente
era
como um relógio
e
fazia-me falta
mas
depois tu vieste
e
levaste os meses
todos
creio que existe em cada um de nós uma zona, um espaço, uma coisa que jamais conseguimos tocar. algo que não conseguimos expressar. uma espécie de segredo. algo que adivinhamos, pressentimos, mas que não sabemos. a isto chamarei o ponto cego da existência. é este ponto cego da existência que dá às coisas um mais-que-as-próprias-coisas. mais que uma sombra existente em cada coisa, o ponto cego da existência revela-nos uma presença