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no
que respeita
a
Deus
há
quem diga
que
nos meus
poemas
há
uma no cravo
e
outra na ferradura
e
eu aceito
quando
a porta
se
abriu
havia
ninguém
na
rua
creio que existe em cada um de nós uma zona, um espaço, uma coisa que jamais conseguimos tocar. algo que não conseguimos expressar. uma espécie de segredo. algo que adivinhamos, pressentimos, mas que não sabemos. a isto chamarei o ponto cego da existência. é este ponto cego da existência que dá às coisas um mais-que-as-próprias-coisas. mais que uma sombra existente em cada coisa, o ponto cego da existência revela-nos uma presença