poesia, Carlos Lopes Pires

terça-feira, 3 de julho de 2018

voltei ao meu quintal
e voltei a encontrar Deus

sentei-me ao pé dele
como se fosse a sua sombra

e o resto da tarde recordámos
os telhados das casas
a chuva e as coisas tantas
que acontecem na nossa vida

e como tudo
é bonito e com mistério

então demos as mãos
e rezámos

segunda-feira, 2 de julho de 2018

uma flor para albano

que seja da janela
o longo olhar
que tudo alcança

sombra que seja do corpo
o sossego no coração
que se abre em flor

na outra mão
             (para albano martins)
 

segunda-feira, 18 de junho de 2018


a dor é uma ferida que se abre

o amor é uma dor que nunca se fecha
a ausência é um pássaro que se vai
uma coisa que nos falta

e para a qual não temos nome
                                           (para o avô fausto, poema de Carlos Lopes Pires,
                                                     ilustração de Fúlvio Capurso, seu neto,      
                                                     quando da notícia do seu falecimento)

segunda-feira, 11 de junho de 2018

subimos
e subimos os degraus

mas nenhum nos conduz
ao lado de dentro do mundo
       (para albano martins - 06/06/2018)

bem aventurados aqueles
que da água em poemas
revelaram

o que da lama
a sua humana condição

não em armas fogo ou feridas

mas em anjos de leveza
iluminados

e que chegados
onde todos um dia chegam

já nada de si levavam

sexta-feira, 8 de junho de 2018


                     liturgia das horas ou salmo contínuo

 ouvirei quem és pela manhã

não andarei
por caminhos de outros
nem desperdiçarei os meus

e nada que me digam
em mim te alcançará

e nada me faltará
mesmo que sejas distante
e ausente

porque tu velas por mim
na minha ausência

guardas-me quando
estou longe

dás-me a tua mão
ainda que seja minha
aquela que encontro

e ainda que seja este o corpo
que em mim descanse