aos amigos
hei de deitar-me
a teu lado
para que nunca te vás
da minha vida
assim
como quem morre
pela primeira vez
e ainda não conhece
a chuva
nem das rosas
o abandono
creio que existe em cada um de nós uma zona, um espaço, uma coisa que jamais conseguimos tocar. algo que não conseguimos expressar. uma espécie de segredo. algo que adivinhamos, pressentimos, mas que não sabemos. a isto chamarei o ponto cego da existência. é este ponto cego da existência que dá às coisas um mais-que-as-próprias-coisas. mais que uma sombra existente em cada coisa, o ponto cego da existência revela-nos uma presença