sentei-me
e abri as mãos
para que viesses
e tu vieste
tu vens sempre
com o sol
ou através da chuva
depois fechei
os olhos
e fechei-os tanto
para que não te fosses
que desde há muito
já não te vais
creio que existe em cada um de nós uma zona, um espaço, uma coisa que jamais conseguimos tocar. algo que não conseguimos expressar. uma espécie de segredo. algo que adivinhamos, pressentimos, mas que não sabemos. a isto chamarei o ponto cego da existência. é este ponto cego da existência que dá às coisas um mais-que-as-próprias-coisas. mais que uma sombra existente em cada coisa, o ponto cego da existência revela-nos uma presença