não esperarei por ti
não há comboios
para a tua inexistência
nada nos conduz
à tua porta
não estás em algum
outro lugar do mundo
e nós dizermos
ah estás aqui
repito
damos as mãos
e passeamos as sombras
creio que existe em cada um de nós uma zona, um espaço, uma coisa que jamais conseguimos tocar. algo que não conseguimos expressar. uma espécie de segredo. algo que adivinhamos, pressentimos, mas que não sabemos. a isto chamarei o ponto cego da existência. é este ponto cego da existência que dá às coisas um mais-que-as-próprias-coisas. mais que uma sombra existente em cada coisa, o ponto cego da existência revela-nos uma presença