senhor
tu nunca
escreveste
por linhas
tortas
nunca
passaste por nós
como se
evitasses a chuva
nem
paraste à noite
entre duas
paredes
sem sombra
não
prometeste
um mar de
rosas
creio que existe em cada um de nós uma zona, um espaço, uma coisa que jamais conseguimos tocar. algo que não conseguimos expressar. uma espécie de segredo. algo que adivinhamos, pressentimos, mas que não sabemos. a isto chamarei o ponto cego da existência. é este ponto cego da existência que dá às coisas um mais-que-as-próprias-coisas. mais que uma sombra existente em cada coisa, o ponto cego da existência revela-nos uma presença
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