um homem
sentou-se a sul
de si próprio
quis plantar-se
e ser uma planta
então
moveram-se o chão
e a chuva
moveu-se de azul
a tarde
os peixes vieram
creio que existe em cada um de nós uma zona, um espaço, uma coisa que jamais conseguimos tocar. algo que não conseguimos expressar. uma espécie de segredo. algo que adivinhamos, pressentimos, mas que não sabemos. a isto chamarei o ponto cego da existência. é este ponto cego da existência que dá às coisas um mais-que-as-próprias-coisas. mais que uma sombra existente em cada coisa, o ponto cego da existência revela-nos uma presença
O caso é que alguns de nós tardam tanto em se decidir por que via hão-de seguir que, quando menos derem conta já não estarão. Que se terá passado!? Acabaram por ser comidos pelos peixes!?... Esperemos que acordem antes e venham a ser árvore.
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