poesia, Carlos Lopes Pires

sexta-feira, 8 de junho de 2018

talvez um dia as árvores
se lembrem de nós

de quando os nossos nomes
tinham rostos

e nós então distantes
de tudo o que tocámos

 

quinta-feira, 31 de maio de 2018

e nada mais pese
 
àquele que te escreve
do deserto
 
percorrida que foi
bem mais que metade
da sua vida
 
e Ninguém sabe
onde está

segunda-feira, 21 de maio de 2018

hoje voltei
a estar com ele

agarrou uma sombra
que se movia
no ar e nas árvores

e depois riu-se muito
e perguntou-me sem querer

vê lá se consegues anoitecer
no teu quintal

quinta-feira, 10 de maio de 2018

gosto de ti

por não seres como eu
nem parecido com nada
que eu conheça

por não estares
onde eu quero que estejas

e nunca saber
de ti

 
voltei ao meu quintal
e voltei a encontrar Deus

sentei-me ao pé dele
como se fosse a sua sombra

e o resto da tarde lembrámos
os telhados das casas
a chuva e as coisas tantas
que acontecem na nossa vida

como as nuvens as flores
as árvores

e que tudo
é bonito e com mistério

e então demos as mãos
por acharmos que pequeno
é maior que nós

e rezámos

segunda-feira, 7 de maio de 2018

é das minhas mãos
e nada mais que me pese

aquele que te escreve
do deserto

percorrida que foi
bem mais que metade
da sua vida

e ninguém sabe
onde está

quarta-feira, 25 de abril de 2018

aos pássaros do meu quintal
tenho pedido por ti

a eles invoco as tardes lentas
e o poder dos frutos

e movo os dedos
fazendo gestos mágicos na terra
que te curem
e livrem de todo o mal

depois
junto as duas mãos
e digo muito forte
e em silêncio o teu nome
                                                (para o jorge)