uma
espécie de verão
chegou
com a primavera
o
sol ainda não
se
encheu de crianças
nem
há vozes
para
os lados da areia
as
flores viajaram
de
muito longe
para
aqui
chegar
flutuam
nos barcos
creio que existe em cada um de nós uma zona, um espaço, uma coisa que jamais conseguimos tocar. algo que não conseguimos expressar. uma espécie de segredo. algo que adivinhamos, pressentimos, mas que não sabemos. a isto chamarei o ponto cego da existência. é este ponto cego da existência que dá às coisas um mais-que-as-próprias-coisas. mais que uma sombra existente em cada coisa, o ponto cego da existência revela-nos uma presença