aquele que é meu irmão
e de longe vem estar
na minha existência
esse de várias cores
homens ou mulheres
ou tanto faz
que regressam de noite
ou em dias frios
mas sempre com o sol
às minhas mãos
diversos eles são
aos milhões
bem-vindos
ao meu coração
não posso pedir-te que venhas comigo. nem posso pedir-te que vejas o mesmo que eu vejo. cada qual transporta a si mesmo. também não posso pedir-te que saibas do que eu sei e que todos os dias me acontece desde há muito. repara: estou cego e um cego não pode pedir aos outros que vejam o que ele mesmo não sabe que vê.
encostei
o meu coração ao teu
e pensei que era um só
e desde então há muito
que vivo no teu coração
ou talvez sejas tu
ignorantes os dois
tão cegos portanto
indo e vindo de toda a parte
que onde um vai
o outro está
este tão grande desconhecimento
da impossibilidade
até que a morte
esclareça o mistério
encontra alguém
que te ame
que faça do teu nome
a única pátria desconhecida
o lugar nunca encontrado
e assim queira em ti viver
para que vivas tu depois
e sempre
alguém que por ti respire
que possa subir na tua cruz
e nela morrer
o teu nome
porque sabe que um dia
há de todo o ar
ser pequeno
junto às árvores
tu senhor
criaste as flores
e as abelhas
engrandeceste
as coisas simples
e os sinais
deste-nos o que era
teu
e deixaste
que usássemos a luz
e tudo o que era
abundante
e depois ficámos sós
uns e outros
desmerecendo a água
e as nossas próprias
mãos
e um de nós
que eras talvez tu
elevámos em humilhação
e morte