para estar contigo
mas tu já
nunca me vês
já não
reparas nas minhas mãos
nem
perguntas onde estão
demasiados
pássaros
e poucas
rosas
e no
entanto
ando de
par em par
em busca
do teu
coração(se um dia houver domingo à tarde, 2021)
creio que existe em cada um de nós uma zona, um espaço, uma coisa que jamais conseguimos tocar. algo que não conseguimos expressar. uma espécie de segredo. algo que adivinhamos, pressentimos, mas que não sabemos. a isto chamarei o ponto cego da existência. é este ponto cego da existência que dá às coisas um mais-que-as-próprias-coisas. mais que uma sombra existente em cada coisa, o ponto cego da existência revela-nos uma presença
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