eu sei mãe
que não querias
que envelhecesse
e por isso
me conservaste sempre menino
nos teus olhos verdes
e quando na hora da tua morte
te dei uma mão cheia de balões
eu sei que o teu aperto
era uma dor
sem nome
creio que existe em cada um de nós uma zona, um espaço, uma coisa que jamais conseguimos tocar. algo que não conseguimos expressar. uma espécie de segredo. algo que adivinhamos, pressentimos, mas que não sabemos. a isto chamarei o ponto cego da existência. é este ponto cego da existência que dá às coisas um mais-que-as-próprias-coisas. mais que uma sombra existente em cada coisa, o ponto cego da existência revela-nos uma presença
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