aquele que é
nobre no coração
sabe das mãos
a rosa aberta
ele segue
em silêncio a viagem
ele conhece
o princípio do bem
creio que existe em cada um de nós uma zona, um espaço, uma coisa que jamais conseguimos tocar. algo que não conseguimos expressar. uma espécie de segredo. algo que adivinhamos, pressentimos, mas que não sabemos. a isto chamarei o ponto cego da existência. é este ponto cego da existência que dá às coisas um mais-que-as-próprias-coisas. mais que uma sombra existente em cada coisa, o ponto cego da existência revela-nos uma presença
foi o dia da cura
e os que
não viam
viram que
não estavam sós
os que
sofriam
sofreram
com as mãos
mais
abertas
os que não
andavam
souberam
de caminhos
que não
são de andar
os
famintos trocaram o pão
por uma
outra coisa
que já
tinham
algumas
crianças que brincavam
uma mulher
que passava
dois
amigos abraçados
todos
souberam
que não
era tarde
e foram
também curados