onde estás coração
que não te sinto
palpitar
foi o sol
que esta tarde
te levou de minhas mãos
foi um sinal
ao fundo da estrada
foi um risco
na água
ou a casa inclinada
até ao chão
e não obstante
uma canção
que na branca cal
iluminada
creio que existe em cada um de nós uma zona, um espaço, uma coisa que jamais conseguimos tocar. algo que não conseguimos expressar. uma espécie de segredo. algo que adivinhamos, pressentimos, mas que não sabemos. a isto chamarei o ponto cego da existência. é este ponto cego da existência que dá às coisas um mais-que-as-próprias-coisas. mais que uma sombra existente em cada coisa, o ponto cego da existência revela-nos uma presença
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