quando o pássaro
abandonou
o seu corpo
não
caminhou
por
entre as flores
nem
subiu ao céu
apenas
um silêncio
na
sua sombra
e
uma ausência
sem
fim
creio que existe em cada um de nós uma zona, um espaço, uma coisa que jamais conseguimos tocar. algo que não conseguimos expressar. uma espécie de segredo. algo que adivinhamos, pressentimos, mas que não sabemos. a isto chamarei o ponto cego da existência. é este ponto cego da existência que dá às coisas um mais-que-as-próprias-coisas. mais que uma sombra existente em cada coisa, o ponto cego da existência revela-nos uma presença