poesia, Carlos Lopes Pires

sábado, 20 de agosto de 2022

quando o pássaro

abandonou o seu corpo

 

não caminhou

por entre as flores

nem subiu ao céu

 

apenas um silêncio

na sua sombra

 

e uma ausência

sem fim

domingo, 14 de agosto de 2022

apega-te ao que amas

 

não desistas de construir

neste mundo

uma morada para

o que amas

 

cresce na chuva

multiplica-te no sol

 

aceita que tudo

o que amas também dói

 

mas descobre caminhos

e colhe rosas

 

dá o teu coração

uma e outra vez

e ama repetidamente

e sem culpa

 

desapega-te

das casas vazias

sexta-feira, 12 de agosto de 2022

enquanto as maçãs

amadurecem no chão

 

eu canto

com os pássaros

 

e no dia dos amigos

 

que é já aqui

nesta mesma rua

 

eu também canto

com os pássaros

quinta-feira, 30 de junho de 2022


nos meus poemas

já não há palavras

 

tudo o que houve

 

é agora

uma ausência

sem fim


terça-feira, 17 de maio de 2022

eras tu

aquele rastro

que conduzia a luz

 

e era minha a mão

que nela se movia

 

mas nada fora

e nada dentro

 

uma só luz

o mundo

domingo, 27 de fevereiro de 2022

ainda preciso de ti

porque me dás quase tudo

 

o nervosismo das manhãs

e a incerteza das noites

 

mas sobretudo

o que falta em cada uma

das minhas mãos

 

hoje sei

que tudo em mim

é um lugar desocupado

 

e que tu vens

pela areia adentro

 

devagar e depois

 

como se fosses

o mar

 

sábado, 19 de fevereiro de 2022

chegam-me

de todo o lado

e a toda a hora

 

falam de ti

 

de como cresces

no meu quintal

 

de como caminhas

com os gatos

 

de como moves

o vento e as nuvens

 

tu cresces

tu multiplicas