vai borboleta
vai dizer
que voaste
deste poema
encontra um lugar
muito alto
um caule
uma haste
um pecíolo
uma gota
que seja a parte
mais leve
da água
abraça no coração
o mundo
creio que existe em cada um de nós uma zona, um espaço, uma coisa que jamais conseguimos tocar. algo que não conseguimos expressar. uma espécie de segredo. algo que adivinhamos, pressentimos, mas que não sabemos. a isto chamarei o ponto cego da existência. é este ponto cego da existência que dá às coisas um mais-que-as-próprias-coisas. mais que uma sombra existente em cada coisa, o ponto cego da existência revela-nos uma presença
ó Deus
que vives
sem lugar
e que nem
o nome te
pertence
e aquele
que traz
uma flor
para dar-te
para
dar-te
como se em
ti
houvesse
mãos
e se
houvesse
seria um
coração
igualzinho
ao nosso
este que
deveria
servir-nos
para amar
não a ti
mas aos
outros todos
e que
afinal
e depois
só nos
serve
para
morrer