que tu me ouças
e não leves mais ninguém
do meu quintal
que fales
na minha boca os seus nomes
e assim os protejas da dor
e ausência
que nas suas mãos e coração
apenas tomilho e açafrão
que não me deixes
mais lugares vazios
creio que existe em cada um de nós uma zona, um espaço, uma coisa que jamais conseguimos tocar. algo que não conseguimos expressar. uma espécie de segredo. algo que adivinhamos, pressentimos, mas que não sabemos. a isto chamarei o ponto cego da existência. é este ponto cego da existência que dá às coisas um mais-que-as-próprias-coisas. mais que uma sombra existente em cada coisa, o ponto cego da existência revela-nos uma presença
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