há poetas que escrevem
para a
literatura
eu escrevo
para estar
contigo
para que
mesmo depois
da minha
ausência
fique uma
dádiva
de
abundância
(a noite que nenhuma mão alcança, 2020)
creio que existe em cada um de nós uma zona, um espaço, uma coisa que jamais conseguimos tocar. algo que não conseguimos expressar. uma espécie de segredo. algo que adivinhamos, pressentimos, mas que não sabemos. a isto chamarei o ponto cego da existência. é este ponto cego da existência que dá às coisas um mais-que-as-próprias-coisas. mais que uma sombra existente em cada coisa, o ponto cego da existência revela-nos uma presença
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