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paul celan cavou no chão
nem flores nem pás
saros
apenas mortos
num quarto muito
escuro rezou
a um deus com os
nomes desses mortos
depois abriu
uma janela no mundo
e voou
para a terra de
ninguém
olá
terra de ninguém
creio que existe em cada um de nós uma zona, um espaço, uma coisa que jamais conseguimos tocar. algo que não conseguimos expressar. uma espécie de segredo. algo que adivinhamos, pressentimos, mas que não sabemos. a isto chamarei o ponto cego da existência. é este ponto cego da existência que dá às coisas um mais-que-as-próprias-coisas. mais que uma sombra existente em cada coisa, o ponto cego da existência revela-nos uma presença
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