para a lídia bacelar
a menina
do retrato
sorri
deitada na areia
contempla a
infância
algumas gaivotas
flutuam sobre
as ondas
ou pousaram
sobre a beira-mar
e não ficaram
no retrato
a menina
sorri-lhes
o que não se vê
é sempre o
que fica
creio que existe em cada um de nós uma zona, um espaço, uma coisa que jamais conseguimos tocar. algo que não conseguimos expressar. uma espécie de segredo. algo que adivinhamos, pressentimos, mas que não sabemos. a isto chamarei o ponto cego da existência. é este ponto cego da existência que dá às coisas um mais-que-as-próprias-coisas. mais que uma sombra existente em cada coisa, o ponto cego da existência revela-nos uma presença
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