estive
em lisboa
lisboa despovoou se
desde há muito
que há apenas sombras
ruas cafés avenidas
e que às vezes
olham o rio que passa lá
no fundo
e julgam que talvez exista
ainda um outro
mundo
creio que existe em cada um de nós uma zona, um espaço, uma coisa que jamais conseguimos tocar. algo que não conseguimos expressar. uma espécie de segredo. algo que adivinhamos, pressentimos, mas que não sabemos. a isto chamarei o ponto cego da existência. é este ponto cego da existência que dá às coisas um mais-que-as-próprias-coisas. mais que uma sombra existente em cada coisa, o ponto cego da existência revela-nos uma presença
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