era uma vez um menino
de que ninguém dirá
esteve
aqui
era uma vez um menino
de pés mãos olhos
e até uma boca
e tudo o mais
e dele ninguém dirá
esteve
aqui
porque subiu
deixou o corpo
foi ver o mundo
e depois voltou
com uma ferida
no coração
creio que existe em cada um de nós uma zona, um espaço, uma coisa que jamais conseguimos tocar. algo que não conseguimos expressar. uma espécie de segredo. algo que adivinhamos, pressentimos, mas que não sabemos. a isto chamarei o ponto cego da existência. é este ponto cego da existência que dá às coisas um mais-que-as-próprias-coisas. mais que uma sombra existente em cada coisa, o ponto cego da existência revela-nos uma presença
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