a água inclinou-se
na fonte
o vulto de uma mulher
apagou-se da janela
e do sol
a mãe amamentou o filho
e os pés que dele cresceram
vi-o construir uma casa
e depois ruir
em cada quarto
creio que existe em cada um de nós uma zona, um espaço, uma coisa que jamais conseguimos tocar. algo que não conseguimos expressar. uma espécie de segredo. algo que adivinhamos, pressentimos, mas que não sabemos. a isto chamarei o ponto cego da existência. é este ponto cego da existência que dá às coisas um mais-que-as-próprias-coisas. mais que uma sombra existente em cada coisa, o ponto cego da existência revela-nos uma presença
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