por vezes
os amigos vão embora
as ruas
as paredes
entre as casas
os passos
que a memória
guarda num retrato
e então
cravo uma rosa no meu coração
e vejo-a crescer luminosa
elevar-se
da ferida aberta
uma lágrima
ilumina cada ausência
creio que existe em cada um de nós uma zona, um espaço, uma coisa que jamais conseguimos tocar. algo que não conseguimos expressar. uma espécie de segredo. algo que adivinhamos, pressentimos, mas que não sabemos. a isto chamarei o ponto cego da existência. é este ponto cego da existência que dá às coisas um mais-que-as-próprias-coisas. mais que uma sombra existente em cada coisa, o ponto cego da existência revela-nos uma presença
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