passado em tua casa
como posso
ser tão
mal-agradecido
as coisas
que me trazes
das tuas
noites de abundância
que são
tantas
a
encher-me o coração
que nada
me falta
mesmo se
não estás
como posso
ser
tão cegocreio que existe em cada um de nós uma zona, um espaço, uma coisa que jamais conseguimos tocar. algo que não conseguimos expressar. uma espécie de segredo. algo que adivinhamos, pressentimos, mas que não sabemos. a isto chamarei o ponto cego da existência. é este ponto cego da existência que dá às coisas um mais-que-as-próprias-coisas. mais que uma sombra existente em cada coisa, o ponto cego da existência revela-nos uma presença